domingo, 31 de agosto de 2014

AS DUAS FACES DE UMA MULHER - ESCRAVA DE UM DEVER - IMPULSO DO CORAÇÃO

AS DUAS FACES DE UMA MULHER
DOS ROSTROS Y UNA MUJER
CORIN TELLADO
 CAP 1


— Estou tão cansada, Ann!
— Cansada, Fanny? De que, querida?
— De quê? Ora! De ser o que sou... Gostaria de transformar-me numa mocinha qualquer; em Alice, em Katty, em Maud... Meu dinheiro sufoca-me, meu nome pesa e o colégio me prende. Se você fizesse alguma coisa para tirar-me daqui, Ann! Não posso suportar esta prisão por mais tempo, sabe? Há dez intermináveis anos vejo apenas os muros acinzentados do colégio; os inexpressivos rostos das Irmãs que, mesmo quando são boas para mim, não podem proporcionar-me o que almejo: a liberdade, a vida que vocês levam, as amizades mundanas ...
— Em que ficamos, afinal? Se seu ilustre nome e o dinheiro lhe pesam, para que deseja amizades?
— Talvez não me tenha explicado bem... — passou a mão pelo rosto e cerrou as pálpebras. — Estou desesperada — acrescentou, baixinho, angustiosamente. — Completei dezessete anos, já sou uma mulher... Tenho desejos, compreende? Desejo de alguma coisa, diferente do que tenho no colégio. Pode ser que depois me canse do que tanto ambiciono. Mas enquanto isso...
— Em seu lugar, eu escreveria a seu tutor.
Fanny Walleston alçou vivamente a bela cabeça. Os olhos úmidos abriram-se desmesurada mente.
— Que eu escreva a meu tutor? Que poderei dizer-lhe que ele não saiba?! — ajuntou, encolhendo os ombros. — Michael Glay pouco se importa comigo e minha existência.
— Mas é seu tutor. Administra seu capital.
— É verdade, Ann! — pulou Fanny, em tom vivo. — Administra meu capital. Talvez viva como um rei à custa do dinheiro dos Walleston, sem se preocupar em absoluto com ela. Um dia qualquer, quando eu completar a maioridade, virá buscar-me e me casará com um personagem qualquer, sem levar em conta minhas aspirações sentimentais. Administrará meu capital e continuará desfrutando meus milhões...
Aspirou com força e depois apertou os lábios com aquele voluntarioso ar que lhe era característico. Em seguida, cravou os olhos nos confins do horizonte, através da janela aberta, e acrescentou baixinho:
— Na verdade, quando fiz oito anos e já morava com as Irmãs, não pensei que o mundo fosse assim. Pensei de boa fé, que tudo se resumia a estudar, beijar a cruz que pendia do cinturão da Irmã, desejar-lhes boa noite e dormir até o dia seguinte, quando tudo tornaria a repetir-se, exatamente igual...
— Quando foi que percebeu que estava enganada?
— Ora! Quando fiz doze anos e vi como suas mães vinham aqui para levá-las. Não sei como é o mundo, querida Ann, além do que vocês mesmas me contam. Imagino-o maravilhoso, é verdade, mas, com exatidão, nada sei.
Conversavam no aposento que ambas partilhavam. Eram três da tarde, e vários automóveis saíam do parque, enquanto outros chegavam. Era o fim do período letivo, e as colegiais regressavam aos lares até o fim do verão. Três meses de vida alegre e cômoda!
Três meses de felicidade no calor do lar! E ela continuaria ali até que seu tutor tivesse a feliz idéia de lembrar-se de sua existência!...
— A superiora devia escrever a seu tutor — observou Ann, olhando a amiga.
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Escrava de um Dever

Esclava del deber (O amor de todos os tempos )

Corin Tellado
Sinopse


Emily estava sozinha e desprotegida. Como fora se apaixonar por um homem que a maltratava e humilhava, ferindo seus entimentos? Agora,ficara sabendo que ele ia casar-se com outra... Teria forças suficientes para resistir à idéia de perdê-lo para sempre?



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Impulsos Do Coração


Adolfo parou para pensar.

O que o dinheiro tinha de positivo?
Trazia amor? Ternura? Dignidade?
Não, não tinha nada disso.
Que era ele na realidade?
Que fazia neste mundo?
Divertir-se, vestir-se bem, trocar de carro duas vezes por ano.
Aquilo seria o melhor para ele?

Capítulo Um

Adolfo encostou-se no umbral. Era um rapaz de mais ou menos vinte e cinco anos, cabelos pretos e olhos castanhos-claros. Nem bonito nem feio, nem alto nem baixo.
Um homem como qualquer outro. Apenas os olhos o distinguiam de seu irmão e dos amigos deste.
Tinham um brilho desusado ao pousarem, naquele instante, sobre os grupos que se formavam no salão. Sorriu. Era um sorriso que mais parecia uma careta. Raul, quando o viu, gritou:
— Venha, Adolfo. Divirta-se, rapaz. Este pensou que vinha de um divertimento onde só conseguira ficar aborrecido. Isso acontecia-lhe muitas vezes.
“Estarei envelhecendo?” Tornou a esboçar um sorriso.
— Eh, você, Adolfo — gritou uma jovem loura. — Não vem? Faça-me companhia, homem.
O moço deu de ombros. Inclinou um pouco a cabeça para melhor contemplar o quadro.
Era divertido, mas nada edificante. Bem, ele tampouco era um homem edificante.
Observou o quadro, novamente, mas de olhar parado. Raul, seu irmão, enchia as taças.
Entre risos e piadas, ia passando-as aos amigos. Brindavam, batendo umas nas outras.
Bebiam, faziam discursos. No outro extremo do salão, três jovens dançavam e no centro, um homem resolveu acompanhar Maruchi no Madison.
Onde estaria Teresa? Sua irmã era bem capaz de ter ido para a biblioteca namorar algum de seus amigos. Era tudo muito pueril e ao mesmo tempo desenfreado, sem moral nem pudor. Deu meia volta.
— Eh, eh, Adolfo. Não vá embora, homem.
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2 comentários:

  1. Gosto muito de Romances de Corin Tellado, tenho uma caixa cheia deles mas tenho pena que nao sei os digitar

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  2. Adorei reencontrar os livros da Corin Tellado. Minha iniciação deu-se pelos seus livros. Gostei muito de Escrava do Dever.

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